Leonardo Martins - Mentalista

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

8 coisas sobre o cérebro que nós simplesmente não entendemos muito bem

Apesar de todos os avanços recentes na psicologia cognitiva e da neurociência, ainda há muitas coisas sobre o cérebro humano que nós não sabemos. Aqui estão 8 dos problemas mais desconcertantes enfrentados atualmente nestas áreas da ciência.

1. O que é a consciência?


Sem dúvida, a consciência é o mais surpreendente aspecto do cérebro humano e o mais desconcertante.

A consciência nos permite experimentar e reagir ao nosso meio ambiente de uma forma aparentemente auto-dirigida. Nós não somos apenas zumbis, temos os nossos próprios pensamentos, sentimentos, opiniões e preferências – e essas características nos permitem descobrir o mundo e viver dentro dele.

Mas ainda não compreendemos como o cérebro produz essa consciência. Os neurocientistas não podem explicar como as sensações recebidas são processadas de modo que possam ser traduzidas em impressões subjetivas, como sabor, cor ou dor. Ou como podemos produzir uma imagem em nossas mentes.

Os cientistas pensam que tem algo a ver com a forma como as partes sensoriais do cérebro estão ligadas à estruturas do mesencéfalo (como o tálamo).

2. O quanto da nossa personalidade é determinada pelo nosso cérebro? 


Este é um dilema difícil – se não impossível – de quantificar. Alguns cientistas, como Steven Pinker, argumentam que todos nascemos com predisposições genéticas que influenciam as nossas psicologias.

Outros acreditam que a mente não tem características inatas, e que a maioria, não todas, das nossas preferências individuais são socialmente construídas.

Estudar gêmeos que foram separados no nascimento pode ajudar – mas só um pouco. É difícil dizer onde os efeitos dos genes começam e onde acabam, e se eles são reforçados ou suprimidos pelas experiências sociais.

3. Por que dormimos e sonhamos?


Passamos cerca de um terço de nossas vidas dormindo, mas por quê? Praticamente todos os animais dormem. O sono deve ser extremamente importante porque a evolução não criou uma maneira de contornar isso.

É uma condição em que a consciência (ou sua maior parte) é desligada, deixando-nos sem conhecimento do nosso ambiente e completamente vulneráveis. Se não dormimos o suficiente, podemos morrer. Então, qual é o propósito por trás disso?

Pode ser uma maneira de recarregar o cérebro e repor os estoques de energia do corpo. Ou, o sono pode nos ajudar a consolidar e armazenar memórias importantes e desprezar as que não precisamos. E, de fato, parece haver alguma credibilidade à ideia de que o sono ajuda-nos a codificar as nossas memórias de longo prazo. Quanto aos sonhos, os cientistas estão igualmente perplexos – embora não haja escassez de explicações. Pode ser um efeito colateral acidental de impulsos neurais aleatórios, uma forma de simular e lidar com as ameaças do mundo real, ou uma maneira de processar emoções dolorosas.

4. Como é que armazenamos e acessamos nossas memórias?


Como o disco rígido do computador, as memórias são gravadas fisicamente em nossos cérebros. Mas não temos ideia de como isso é feito, nem sabemos como essa informação fica registrada.

Além do mais, não existe apenas um tipo de memória. Temos tanto as de curto prazo quanto as de longo prazo. E dentro de nossas memórias de longo prazo, temos memórias “flashbulb”, onde somos capazes de lembrar os detalhes precisos do que estávamos fazendo durante acontecimentos importantes. E para complicar ainda mais as coisas, as diferentes partes do nosso cérebro executam diferentes tarefas de memória, em um jogo bastante complexo entre nossas sinapses e neurônios.

Os neurocientistas pensam que o armazenamento da memória depende da conexão entre as sinapses e a força das associações; lembranças não são codificadas como bits de informação, mas sim como as relações entre duas ou mais coisas (por exemplo, tocar um elemento quente provoca dor). De um modo semelhante, as memórias de um evento podem ser armazenadas em uma matriz de neurônios interligados em nosso cérebro chamada de “engrama”.

5. Será que todos os aspectos da cognição são computacionais?


O criador da computação, Alan Turing, argumentava que qualquer computação do mundo real – incluindo a cognição – pode ser traduzida em um cálculo equivalente envolvendo uma máquina de Turing.

Isto deu origem ao modelo funcionalista da cognição humana; mentes orgânicas, diz a teoria, são basicamente processadores de informação.

Talvez, a cognição e a consciência surjam de uma forma alternativa de um cálculo que ainda temos de descobrir. Os computadores não tem que usar apenas zero e um… A natureza da computação não está limitada a manipular símbolos lógicos. Algo está acontecendo no cérebro humano, e não há nada que impeça esses processos biológicos de serem submetidos à engenharia reversa e replicados em entidades não-biológicas.

Mas alguns cientistas, como o brasileiro Miguel Nicolelis, argumentam que o cérebro não é computável e que nenhuma tecnologia pode reproduzi-lo. Nicolelis diz que a consciência humana não pode ser replicada em materiais como o silício, pois a maioria de suas características importantes são resultado de interações imprevisíveis e não-lineares entre bilhões de células.

6. Como a percepção humana funciona? 


A principal função do cérebro é converter nossos sentidos em experiências.

Nossa capacidade de perceber nos permite organizar, identificar e interpretar a informação sensorial de modo que nos ajuda a construir e compreender nosso mundo.

Mas como, exatamente, o nosso cérebro transfere esta informação sensorial recebida em tais experiências qualitativas vivas? E como a percepção é organizada no cérebro? Não sabemos.

Nossos vários órgãos captam um estímulo, como a luz ou moléculas de um odor, e o cérebro de alguma forma o converte no que chamamos de “percepção.” Nós muitas vezes podemos moldar a textura dessas experiências através da aprendizagem, memória e expectativa, mas muitas elas acontecem fora da consciência. A percepção também é controlada por diferentes módulos no cérebro, que são por sua vez uma parte mais ampla da rede cognitiva.

7. Como podemos nos mover e reagir tão bem?


Fazemos um trabalho incrível ao mover nossos corpos através do espaço e do tempo. Mas como nós nos movemos controlavelmente permanece um mistério.

 Pense na destreza necessária para enfiar uma agulha. Ou tocar um concerto de piano. Essas conquistas são ainda mais incríveis quando se considera que nossos impulsos nervosos motores são lentos, aleatórios e imprevisíveis. Claramente, há algo muito sofisticado acontecendo no cérebro que permite ações tão complexas.

Mas há também o tempo a se considerar. É preciso um décimo de segundo para o cérebro processar o que vê. Isso pode parecer realmente um curto espaço de tempo, mas se um objeto está vindo em nossa direção a 120 quilômetros por hora, como uma bola de tênis, ela terá percorrido 4,57 metros antes que o nosso cérebro esteja ciente disso. Isso significa que nossos cérebros não estão em perfeita sintonia com o mundo real.

8. Há Livre Arbítrio?


Os filósofos têm debatido sobre isso por milênios, e os cientistas estão finalmente começando a entrar nesta discussão - e eles não estão necessariamente gostando do que eles vêem.

O debate sobre o livre-arbítrio deu origem ao determinismo cosmológico (tudo procede ao longo do tempo em uma forma previsível), o indeterminismo (a idéia de que o universo e as nossas ações dentro dele são aleatórios), e libertarianismo / compatibilismo cosmológico (o livre arbítrio é logicamente compatível com visões deterministas do universo).

Menos filosoficamente, experiências mostram que a mente inconsciente inicia atos aparentemente voluntárias a 0,35 segundo mais cedo do que consciência. Na década de 1980, Benjamin Libet concluiu que não temos livre-arbítrio, tanto que o início de nossos movimentos são concedidos, mas nós temos uma espécie de "veto" cognitivo para evitar o movimento no último momento, não podemos começá-lo, mas podemos pará-lo. Mais recentemente, os estudos de ressonância magnética mostraram que este atraso, o chamado potencial de prontidão, ocorre tanto quanto um segundo inteiro antes da consciência.

Céticos argumentam que esses experimentos não provam nada, e / ou que há distorções nos dados. Outros rejeitam-no por causa de suas ramificações inquietantes.


Fonte: Mistérios do Mundo mentalismo mágica mentalista entretenimento adulto
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sábado, 12 de outubro de 2013

Cientistas descobrem por que crianças têm facilidade de aprender mais de uma língua

Cientistas britânicos e americanos descobriram que entre dois e quatro anos de idade existe uma janela crítica de formação no cérebro - período em que este está aberto a um determinado tipo de experiência - para o aperfeiçoamento da linguagem.

Scan mostra que o lado esquerdo do cérebro tem mais mielina

Através do escaneamento do cérebro, pesquisadores perceberam que influências exteriores têm o seu maior impacto antes dos quatro anos de idade, quando as ligações entre os neurônios se desenvolvem para processar novas palavras.

A pesquisa, divulgada na publicação cientifica The Journal of Neuroscience, sugere que distúrbios que causam atraso na linguagem, como o autismo, devem ser abordados mais cedo.

O estudo também explica por que as crianças têm facilidade em aprender mais de um idioma.

A pesquisa


Os cientistas, do Kings College em Londres, e da Brown University em Rhode Island, estudaram 108 crianças com desenvolvimento cerebral normal, e com idades entre um e seis anos.

Eles usaram exames cerebrais para estudar a mielina – substância responsável por proteger o circuito neural, que se desenvolve desde o nascimento.

Para surpresa dos especialistas, os testes indicaram que a distribuição da mielina é fixada a partir dos quatro anos, o que sugere que o cérebro é mais plástico nos primeiros anos de vida.

Eles preveem que qualquer influência ambiental sobre o desenvolvimento do cérebro será mais forte na infância.

Isso explica por que a imersão de crianças em um ambiente bilíngue antes dos quatro anos de idade oferece uma melhor chance de elas se tornarem fluentes em ambas as línguas, a pesquisa sugere.

Segundo os pesquisadores, existe um momento crítico durante o desenvolvimento em que a influência exterior sobre as habilidades cognitivas pode ser maior.

Jonathan O'Muircheartaigh, da Kings College, que liderou o estudo, disse à BBC: "Uma vez que o nosso trabalho parece indicar que os circuitos do cérebro associados com a linguagem são mais flexíveis antes dos quatro anos de idade, a intervenção em crianças com atraso na execução da linguagem deve ser iniciada antes dessa idade crítica."

"Isso pode ser relevante para muitos distúrbios de desenvolvimento, como o autismo, em que o atraso na fala é um traço comum no início."

Habilidade linguística


A primeira infância é uma época em que as habilidades linguísticas se desenvolvem muito rapidamente.

Aos 12 meses de idade, os bebês têm um vocabulário de até 50 palavras, mas aos seis anos este pode chegar a cerca de cinco mil palavras.

Competências linguísticas estão localizadas nas áreas frontais do lado esquerdo do cérebro.

Por isso, os pesquisadores esperavam que uma quantidade maior de mielina fosse produzida no lado esquerdo do cérebro enquanto as crianças desenvolvem a linguagem.

No entanto eles descobriram que a quantidade de mielina se manteve constante, mas teve uma influência mais forte sobre a capacidade linguística antes dos quatro anos de idade, sugerindo que há uma janela crucial para intervenções em transtornos do desenvolvimento.

"Este trabalho é importante, pois é o primeiro a investigar a relação entre a estrutura do cérebro e a linguagem na primeira infância, e a demonstrar como essa relação muda com a idade", disse Sean Deoni da Brown University, copesquisadora do estudo.

"Isto é importante já que a linguagem é geralmente alterada, ou retardada, em muitos casos de crianças com problemas durante a fase de desenvolvimento, tais como o autismo."

Estudo a longo prazo


Comentando o estudo, Dorothy Bishop, do Departamento de Desenvolvimento Neuropsicológico da Universidade de Oxford, disse que a pesquisa acrescentou novas informações importantes sobre o desenvolvimento inicial das ligações em regiões do cérebro importantes para funções cognitivas.

"Há evidências sugestivas sobre a relação entre ligações no cérebro e o desenvolvimento da linguagem, mas é muito cedo para ter certeza sobre as implicações funcionais dos resultados", disse ela.

"Idealmente, seria necessário um estudo de longo prazo seguindo as crianças por um determinado tempo para acompanhar como as mudanças estruturais do cérebro são relacionadas a função da linguagem."

O estudo foi financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde Mental nos Estados Unidos e pelo Wellcome Trust na Grã-Bretanha.


Fonte: BBC
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domingo, 6 de outubro de 2013

Como vive quem não consegue memorizar nenhum rosto

Imagine do dia para a noite não conseguir mais reconhecer seus pais, filhos ou parentes mais próximos.

Você pode vê-los, mas não sabe quem são, nem se estão rindo ou franzindo a testa.

Foi o que aconteceu com o britânico David Bromley. Após sofrer uma lesão no cérebro, ele passou a apresentar um transtorno pouco conhecido, a 'cegueira de feições'.


Bromley, de 67 anos, convive com a desordem, cujo nome verdadeiro é prosopagnosia, desde os 11 anos. As pessoas com esse problema enxergam, mas são incapazes de identificar rostos. Ou seja, veem olhos, nariz e boca, mas não reconhecem nem a si mesmos nem a seus interlocutores, bem como gestos ou emoções.

"Eu posso reconhecer minha esposa se eu for para casa, pois parto do pressuposto de que será ela quem estará lá. Mas se a encontrar na rua por acaso, não vou reconhecê-la", disse ele à BBC.

Segundo médicos, a cegueira de feições afeta milhares de pessoas no mundo que, no entanto, não sabem que são portadoras do transtorno.

"Descobri que tinha esse problema quando fui a um encontro de amigos que não via há 30 anos. Dois deles tinham sido meus melhores amigos, fomos juntos a todos os festivais de música, viajamos juntos para a Espanha para trabalhar no verão. Éramos muito próximos, mas acabamos nos afastando pelos rumos diferentes que cada um tomou", conta Bromley.

Naquela ocasião, o britânico já estava se recuperando da lesão que havia sofrido no cérebro e pensava que a única sequela do acidente era a perda parcial de sua visão, que o impossibilitava de dirigir. Por essa razão, Bromley foi acompanhado do irmão ao encontro. A surpresa veio durante a conversa dentro do carro de volta para casa.

"Quando estávamos retornando, lembro que disse a meu irmão: 'Frank e Miky não mudaram nada, continuam exatamente os mesmos’, para logo em seguida, lhe perguntar: ‘Os dois estavam vestidos com teentops, não?' (espécie de suéter que esteve na moda nos anos 70)"

O que Bromley estava vendo, na verdade, era a memória que tinha de seus amigos daquela época. "Meu cérebro estava me dizendo que Frank e Miky estavam ali, mas a imagem que eu tinha deles não correspondia à realidade". "Foi então que descobri que tinha cegueira para feições".


Congênita e adquirida


Segundo a literatura médica, existem dois tipos de prosopagnosia: uma congênita, na qual a pessoa já nasce com o transtorno e outra adquirida, que ocorre normalmente após algum tipo de dano cerebral.

Estima-se que 2% da população mundial apresentam o primeiro tipo do transtorno. No Brasil, estudos mostram que pelo menos 5 milhões de pessoas sofrem da desordem.

Mas Bromley faz parte do segundo grupo, que é raro.

Esse tipo de constrangimento social também afeta a britânica Sandra, que não quis ser identificada na reportagem. Há 14 anos, ela teve uma encefalite (infecção no cérebro) que evoluiu para uma cegueira de feições.

Embora ela tenha desenvolvido uma versão mais branda da prosopagnosia, uma vez que pode reconhecer pessoas que conhecia antes de ter a desordem, prefere evitar o contato com elas.

"A vida com prosopagnosia é muito constrangedora, porque as pessoas me cumprimentam e eu não sei quem elas são. Caso seja alguém que esteja em seu local de trabalho (como o açougueiro ou o padeiro), posso adivinhar quem são. Mas se estão fora de contexto, não consigo reconhecê-las", conta ela à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Sandra dá aulas em uma escola, mas seus alunos não sabem de sua doença. "Se eu vir alguém todos os dias, posso reconhecê-lo. Mas se eu encontrar um dos alunos na rua e ele me cumprimentar, posso inferir que se trata de uma criança da escola, mas não necessariamente sei quem é."


Cinco coisas que você precisa saber sobre a prosopagnosia 


  1. "Prosopagnosia " vem das palavras gregas "prospon" (cara) e "agnosia" (inabilidade de reconhecer).
  2. A prosopagnosia congênita ou verificada na primeira infância é chamada de "prosopagnosia desenvolvimental". Nesses casos, normalmente, não há uma causa médica conhecida.
  3. O transtorno também pode ocorrer como resultado de uma lesão cerebral. Nesse caso, é chamada de "prosopagnosia adquirida".
  4. Os pesquisadores sugerem que a prosopagnosia desenvolvimental pode ter herança genética.
  5.  Especialistas acreditam que uma parte específica do cérebro está envolvida no processamento e reconhecimento facial. Essa região é chamada "área fusiforme da face".

    Fonte: Universidade do Leste de Londres

Para ler mais sobre isso: BBC mentalismo mágica mentalista entretenimento adulto
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Cientistas criam 'minicérebro humano' em laboratório

Miniaturas de "cérebros humanos" foram desenvolvidos em laboratório por cientistas austríacos, em um feito que, segundo especialistas, pode transformar nossa compreensão sobre males neurológicos.


Estruturas do tamanho de ervilhas foram criadas a partir de células-tronco e células de pele 

As estruturas criadas, que são do tamanho de ervilhas, alcançaram o mesmo nível de desenvolvimento de um feto de nove semanas, mas são incapazes de pensar.

Segundo os cientistas, que são do Instituto de Biotecnologia Molecular da Academia de Ciências Austríaca, elas reproduzem em laboratório algumas das etapas iniciais de desenvolvimento cerebral.

O cérebro humano é uma das estruturas mais complicadas existentes no universo. O estudo, publicado no periódico Nature, já foi usado para ampliar a compreensão a respeito de doenças raras.

Desenvolvimento


Os cientistas usaram células-tronco embrionárias ou células de pele adulta para produzir a parte do embrião que se torna o cérebro e a espinha dorsal - o ectoderma neural.

Essa parte foi colocada em gotículas minúsculas de gel, que permitiram que o tecido crescesse, e em um bio-reator giratório, que provê nutrientes e oxigênio.

As células puderam crescer e se organizar em diferentes partes do cérebro, como o córtex e uma versão inicial do hipocampo, bastante ligado à memória em um cérebro adulto plenamente desenvolvido. Os pesquisadores crêem que essa estrutura chega perto - ainda que não perfeitamente - do desenvolvimento inicial do cérebro fetal.

Os tecidos chegaram a seu tamanho máximo, cerca de 4mm, em dois meses. Os "minicérebros" sobreviveram por quase um ano, mas não cresceram além disso. Eles não contavam com suprimento de sangue, apenas de tecido cerebral. Ou seja, nutrientes e oxigênio não puderam penetrar na estrutura.

"Nossos organóides servem para modelar o desenvolvimento do cérebro e para estudar qualquer coisa que cause defeitos nesse desenvolvimento", explicou Juergen Knoblich, um dos pesquisadores.

Segundo ele, o objetivo é ampliar o conhecimento a respeito de distúrbios mais comuns, como a esquizofrenia e o autismo, partindo do princípio de que indícios deles podem surgir na fase de desenvolvimento do cérebro. A técnica também pode ser usada para substituir camundongos em testes de medicamentos e tratamentos.

'Extraordinário' 


Pesquisadores já haviam conseguido produzir células cerebrais em laboratório, mas a iniciativa austríaca é a que chegou mais perto de criar um cérebro humano.

Por isso, a novidade chamou atenção entre cientistas. "É surpreendente", disse à BBC Paul Matthews, professor do Imperial College, em Londres. "A noção de que podemos tirar uma célula da pele e tranformá-la - ainda que seja no tamanho de uma ervilha - em algo que se assemelha a um cérebro é simplesmente extraordinária."

Segundo ele, apesar de o minicérebro não estar se comunicando ou pensando, ele "é o tipo de ferramenta que nos ajuda a entender muitos dos principais distúrbios cerebrais". Pesquisadores já estão usando a descoberta para investigar uma doença chamada microcefalia, cujos portadores têm cérebros menores do que o normal. Ao criar um minicérebro com células de pacientes de microcefalia, a equipe conseguiu estudar mudanças no desenvolvimento cerebral dessas pessoas. Percebeu, por exemplo, que as células desses pacientes se adiantavam em sua transformação em neurônios.

Questões éticas e possibilidades 


Os pesquisadores em Viena não vêem, no momento, nenhum dilema ético em seu trabalho, mas Knoblich afirma que não seria "desejável" fazer cérebros muito maiores do que os já desenvolvidos. Na opinião de Zameel Cader, neurologista consultor no hospital John Radcliffe, em Oxford, a pesquisa ainda não traz problemas éticos.

"(O minicérebro) está longe de ter consciência do mundo exterior", disse à BBC. Para Martin Coath, da Universidade de Plymouth, "se (o minicérebro) se desenvolve de maneiras que reproduzem as do desenvolvimento do cérebro humano, o potencial para o estudo de doenças é claro. O teste de medicamentos, porém, é mais problemático. A maioria deles age em coisas como humor, percepção, controle do corpo, dor. E esse tecido que simula um cérebro não tem nenhum dessas coisas ainda".


Fonte: BBC mentalismo mágica mentalista entretenimento adulto
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Cientistas podem implantar falsas memórias em ratos

Falsas memórias foram implantadas em ratos, dizem cientistas.


Fibras óticas implantadas em cérebros de ratos ativam memórias formando células

Uma equipe foi capaz de fazer com que ratos associassem erroneamente um ambiente benigno com uma experiência desagradável anterior em diferentes ambientes.

Os pesquisadores condicionaram uma rede de neurônios que respondem à luz, fazendo com que os ratos lembrassem do ambiente desagradável.

Na reportagem na revista Science, os cientistas disseram que um dia eles podem lançar luz sobre a forma de falsas memórias como ocorrem nos seres humanos.

Os cérebros dos ratos, geneticamente modificados, foram implantados fibras óticas, a fim de fornecer pulsos de luz para o seu cérebro. Conhecida como Optogenetics, esta técnica é capaz de fazer neurônios individuais responderem à luz.

Memória não confiável


Assim como em ratos, nossas memórias são armazenadas em conjuntos de células, e quando os eventos são recordados reconstroem partes dessas células - quase como re-montar pequenas peças de um quebra-cabeça.

Tem sido bem documentado que a memória humana é altamente não confiável, destacada por um primeiro estudo com testemunhas oculares nos anos 70. Simples mudanças na forma como a pergunta é feita pode influenciar a memória que a testemunha tem de um evento, como um acidente de carro.

Quando isso foi trazido à atenção do público, depoimentos de testemunhas, por si só, já não eram usadas como prova em tribunal. Muitas pessoas erroneamente foram condenadas nas demonstrações de memória e foram mais tarde exoneradas por provas de DNA.

Xu Liu, do RIKEN-MIT Center for Neural Circuit Genetics e um dos principais autores do estudo, disse que quando os ratos se lembram de uma memória falsa, era indistinguível que a memória real se formou conduzida como uma resposta de medo, na memória formada por células do cérebro de um rato.

“Nossa memória muda a cada momento quando ela está sendo gravada. É por isso que podemos incorporar novas informações em memórias antigas e isso é como uma falsa memória podem se formar ... "

Dr. Liu Xu do MIT

Como a memória foi implantada em um rato





  • Um rato foi colocado em um ambiente (caixa azul) e as células de memória de codificação do cérebro foram rotuladas neste ambiente (círculos brancos).
     
  • Estas células foram então foram adequadas para iluminar.
     
  • O animal foi colocado num ambiente diferente (o quadro de vermelho) e luz foi colocada no cérebro para ativar estas células marcadas.
     
  • Isso induziu o recall do primeiro ambiente - a caixa azul. Enquanto o animal foi recordando o primeiro ambiente, eles também receberam choques leves nos pés.
     
  •  Mais tarde, quando o rato foi colocado de volta no primeiro ambiente, ele mostrou sinais comportamentais de medo, indicando que ele havia formado uma memória de medo falsa sobre o primeiro ambiente, onde ele nunca recebeu choque na realidade


O rato é o animal mais próximo que os cientistas podem facilmente usar para analisar o cérebro, a sua estrutura de base e os circuitos é muito semelhante ao cérebro humano.

Estudar os neurônios no cérebro de um rato poderia, portanto, ajudar os cientistas a entender melhor como é o trabalho semelhante nas estruturas do cérebro humano.

"No idioma inglês há apenas 26 letras, mas as combinações de letras fazem palavras e frases ilimitadas, isto também é válido para as memórias," Dr. Liu disse à BBC News.

Evolução das memórias


"Há tantas células cerebrais, e para cada memória individual, que diferentes combinações de pequenas populações de células são ativadas."

Estas diferentes combinações de células podem explicar, em parte, por que memórias não são estáticas como uma fotografia, mas em constante evolução, acrescentou.

"Se você quiser pegar uma memória específica que você tem e descer para nível celular, também poderíamos estar fazendo mudanças com a memória -. Às vezes percebemos às vezes não", explicou o Dr. Liu .

"Nossa memória muda a cada momento em que ela está sendo 'gravada'. É por isso que podemos incorporar novas informações em memórias antigas e isso é como uma falsa memória podem se formar sem a gente perceber."

Susumu Tonegawa, também do RIKEN-MIT, disse que o trabalho de suas equipes forneceu primeiro modelo animal no qual foram postas memórias falsas e verdadeiras e elas puderam ser investigadas nas células que armazenam as memórias, chamadas células engramas de suporte.

"Os seres humanos são animais altamente imaginativos. Tal como os nossos ratos, um evento aversivo ou agradável pode estar associado com uma experiência do passado pode-se acontecer de ter em mente naquele momento, portanto, uma falsa memória formada."

Silenciando o medo


Neil Burgess da University College London, que não estava envolvido com o trabalho, disse à BBC News que o estudo foi um "exemplo impressionante" de criar uma resposta temerosa em um ambiente onde nada aconteceu com medo.

"Um dia, esse tipo de conhecimento pode ajudar os cientistas a entender como eliminar ou reduzir as associações terríveis vividas por pessoas com condições como o transtorno de estresse pós-traumático."

Mas ele acrescentou que é apenas um avanço na "neurociência básica" e que esses métodos não podem ser aplicados diretamente aos seres humanos por muitos anos.

"Mas a ciência básica sempre contribui para o efeito, e que pode ser possível, um dia, a utilização de técnicas semelhantes para silenciar neurônios, causando a associação de medo."

Apagando memórias?



Camundongos foram previamente treinados para acreditar que eles estavam em outro lugar, “um pouco como a sensação de deja-vu que às vezes temos", disse Rosamund Langston da Universidade de Dundee.

A possibilidade, no futuro, é apagar memórias, ela disse à BBC News.

"Memórias episódicas - como as de experiências traumáticas - são distribuídas em neurônios por todo o cérebro, e para fazer com que o apagamento de memória seja uma ferramenta segura e útil, precisamos entender como os diferentes componentes de cada memória são colocados juntos.

"Você pode querer apagar a memória de alguém para um evento traumático que aconteceu em sua casa, mas você certamente não quer apagar a sua memória de como encontrar o caminho para voltar para sua casa."

"Doenças do pensamento"


Mark Mayford, do Instituto de Pesquisa Scripps, em San Diego, EUA, disse: "A questão é, como é que a mudança do cérebro com experiência? Esse é o centro de tudo o que o cérebro faz.”

"Então, pode-se começar a olhar para os circuitos cerebrais, ver como eles mudam, e espero encontrar as áreas ou os mecanismos que mudam com o aprendizado."

"As implicações são potencialmente intervenções para doenças de pensamento, como a esquizofrenia. Você não pode atacar a esquizofrenia, a menos que você saiba como a percepção é feita junto."


Fonte: BBC  mentalismo mágica mentalista entretenimento adulto
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Por que as mulheres se lembram melhor do rosto das pessoas?

Um estudo de um grupo de cientistas baseados no Canadá apontou que as mulheres podem ter memória superior aos homens quando se trata de reconhecer rostos e ligar fisionomias às pessoas certas.


O motivo, segundo os pesquisadores, é que a mulheres prestam mais atenção às feições das pessoas com quem estão falando.

"A maneira com que dirigimos nosso olhar a um rosto novo afeta nossa capacidade de reconhecer este indivíduo depois", diz a cientista Jennifer Heisz, da Universidade de McMaster, coautora do estudo, ao lado dos psicólogos David Shore e Molly Pottruff.

"Tanto os homens como as mulheres se fixam nos olhos, no nariz e na boca", afirmou Heisz à BBC Mundo. "A diferença está no número de vezes que nos fixamos em cada um destes traços: dentro de um limite de tempo concreto, de cinco segundos, as mulheres fazem mais movimentos com os olhos examinando um novo rosto do que os homens."

Estudo canadense aponta diferenças entre os mecanismos de memória de homens e mulheres

Esta diferença quanto ao tipo de olhar gera depois uma "memória superior" entre as mulheres, que, de acordo com os cientistas, se tornou evidente quando os participantes de um experimento voltaram a se encontrar com as mesmas pessoas que tinham conhecido anteriormente.

"Nossos resultados apontam novos conhecimentos sobre os potenciais mecanismos da memória episódica e sobre as diferenças entre os sexos", acrescenta Heisz.

A memória episódica se relaciona a eventos autobiográficos, que podem ser acionados, e é diferente de outros tipos de memória, como a semântica ou empírica.

Padrões do inconsciente


Os cientistas analisaram o padrão de visão e reconhecimento facial de 40 homens e 40 mulheres, utilizando uma tecnologia que rastreia o movimento dos olhos. Assim, foi possível registrar para onde os participantes estavam olhando enquanto eram confrontados com os rostos de pessoas selecionadas de forma aleatória em uma tela de computador. Eles tinham que lembrar do nome associado a cada rosto.

"Descobrimos que as mulheres se fixam nos traços faciais muito mais do que os homens, porém, esta estratégia funciona completamente à margem da nossa consciência", afirma Heisz. "Os indivíduos normalmente não sabem em que fixam seus olhos, de forma que tudo é inconsciente."

A equipe, no entanto, não sabe ainda a que se devem estas diferenças de mecanismos entre os dois sexos. "Poderia ser porque as mulheres estão mais interessadas na interação social, mas isso é pura especulação, há se que investigar mais", diz a cientista.

Diferenças


Outro estudo recente sobre o tema, realizado no Brooklyn College e publicado em setembro de 2012, concluiu que os olhos dos homens são mais sensíveis aos pequenos detalhes e aos objetos que se movem em alta velocidade, enquanto os das mulheres são melhores para distinguir cores.

Heisz diz que aí pode estar uma "conexão interessante". "Os resultados atuais mostram que os homens perdem mais tempo em um ponto, ao invés de fazer um rastreamento de todo o rosto", afirma.

"Isso poderia significar que estão se concentrando em alguns detalhes, mas esta maneira de olhar não leva a uma boa representação mental do rosto para a memória."

Uma das principais inferências deste estudo, diz a cientista, é que todos nós podemos aprender a rastrear melhor as feições e potencialmente desenvolver uma memória melhor, algo que pode ser especialmente útil "para os indivíduos com deficiências de memória, como os idosos", conclui Heisz.


Fonte: BBC mentalismo mágica mentalista entretenimento adulto
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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Por onde andam seus pensamentos?

Novos equipamentos permitem ver e entender como o cérebro trabalha quando divagamos ou estamos concentrados

















Por Ingrid Wickelgren
Para Scientific American


Quantas vezes você já foi a um cômodo de sua casa porque sabia que tinha ido até lá buscar um objeto, mas não lembrava o que havia ido pegar?

Ou talvez tenha ficado em uma reunião ou sala de aula sonhando acordado, sem registrar o que as pessoas diziam?

Ninguém está imune a esse tipo de situação e frequentemente passamos boa parte de nossos dias imersos em viagens mentais, pensando sobre algo do passado ou do futuro – o que nos deixa alheios ao que está acontecendo no presente. O problema é que, ao divagar, perdemos muito da vida. Na prática, esses períodos de “distanciamento” nos tornam mais propensos a acidentes e prejudicam a realização de tarefas ou mesmo o aprendizado. O estado mental oposto, a atenção plena (mindfulness, em inglês), se caracteriza por um estado de consciência calmo e concentrado – associado ao bem-estar físico e mental. O problema é que a maioria das pessoas não está acostumada a se manter assim.

Felizmente é possível aprender – e habituar-se – a direcionar a própria atenção de forma saudável. Mas para isso é preciso treinar a capacidade de concentração. Conforme desenvolvemos mecanismos para nos voltar para o “aqui-agora”, também passamos a direcionar nosso foco de atenção de maneira mais geral. Em última instância, a habilidade de dirigir a mente de forma consciente se traduz na possibilidade de controlar aquilo em que pensamos. Não é de surpreender que o domínio dessa habilidade nos torne mais autônomos e, consequentemente, mais felizes com a própria vida. E como essa atitude contribui para a melhoria do desempenho, estudantes e profissionais que devem manter foco preciso sobre o que estão fazendo – como cirurgiões, atletas e motoristas – costumam ser bastante beneficiados pela prática.


A Longo Prazo


Concentrar-se no agora, porém, nem sempre é apropriado quando você tem de fazer uma escolha entre um desejo imediato e um resultado futuro. Na verdade, uma das principais falibilidades humanas é a tendência de valorizar muito mais aquilo que podemos ter imediatamente do que recompensas futures ainda maiores. Para o cérebro, um benefício tardio parece muito mais distante do que realmente é, o que o torna menos tentador.

Esse funcionamento, que cientistas chamam de “desconto temporal”, leva à alimentação excessiva, gastos desnecessários, abuso de drogas e outros problemas associados à impulsividade e à falta de autocontrole. Mas nós não precisaríamos de autocontrole se nosso cérebro não fizesse constantemente esse triste erro de cálculo. Felizmente existem truques para lidar com esse problema. Um deles é atrasar a recompensa mais imediata. Se você esperar cinco minutos antes de comer uma barra de chocolate, acender um cigarro, comprar um sapato caro ou tomar qualquer outra decisão da qual sabe que depois vai se arrepender, seu desejo de fazer essas coisas será reduzido pela metade em relação a cinco minutos atrás.

Essa providência simples ajuda a equilibrar o jogo, dando mais chances aos benefícios financeiros ou à saúde. Outras dicas para uma boa tomada de decisão incluem o detalhamento das consequências de uma recaída – em sua dieta, por exemplo, ou na decisão de manter-se sóbrio. Escrever fatos específicos que aconteceram no passado, ou que poderiam ocorrer, pode aumentar a importância desses cenários futuros. E se o que está por vir tiver peso maior, você estará mais inclinado a tomar uma decisão sábia no presente.

Há uma maneira high-tech de lutar pelo controle de sua própria mente e cérebro. Em alguns experimentos no qual é utilizada ressonância magnética funcional (fMRI) o participante do estudo visualiza sua própria atividade cerebral. A ideia é que, com essa informação, possa treinar técnicas que a aumentam ou diminuem, alterando assim sua experiência consciente. Para tanto, a pessoa deve entrar em um equipamento de scanner cerebral enquanto computadores coletam e analisam a atividade de seu cérebro, que em seguida é mostrada a ela.

Os computadores representam essa atividade na forma, digamos, de uma chama às vezes mais, às vezes menos intensa e o voluntário tenta descobrir que pensamentos alteram essa atividade. Quando encontrar um que “funciona”, procura se fixar nele. Quanto mais o exercício é feito, mais hábeis nessa prática as pessoas se tornam. Estudos mostram que esse processo influi sobre a maneira como a pessoa se sente. A técnica pode ser utilizada, entre outras coisas, para diminuir a dor crônica persistente, que não responde à medicação e para combater os sintomas de Parkinson quando a concentração se volta para o aumento da atividade em áreas cerebrais envolvidas no controle motor.

Cientistas acreditam que, no futuro, as pessoas poderão aumentar ou suprimir sua atividade em áreas cerebrais específicas para diminuir a ansiedade ou acelerar a aprendizagem, por exemplo. Levando a ideia de controlar movimentos ao extremo, imagino, também, se ela pode ser usada para melhorar a habilidades nos esportes ou na realização de tarefas que exigem precisão.

No momento, esse método de controle mental requer um scanner cerebral grande e caro – o que obviamente não o torna aplicável em situações menos críticas, a menos que sejam desenvolvidos dispositivos menores e mais baratos. A tecnologia, porém, parece muito promissora, o que nos leva a pensar que, em algumas décadas, muito mais pessoas tenham acesso a esse método de autocontrole.

Enquanto esse tempo não chega, a prática da meditação pode ser uma forma eficaz, prazerosa e sem custo de aprimorar a concentração e viver melhor.


Fonte: Scientific American mentalismo mágica mentalista entretenimento adulto
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terça-feira, 30 de abril de 2013

Cerrar o punho pode ajudar memória, diz pesquisa

Cerrar o punho pode ajudar a memória, revelou um novo estudo realizado por cientistas americanos.



Segundo os responsáveis pela pesquisa, cerrar o punho direito por 90 segundos contribui para a formação da memória, enquanto que o mesmo movimento do lado esquerdo auxilia a recuperação dela.

Para comprovar a tese, os pesquisadores analisaram 50 estudantes. Eles descobriram que os pacientes se lembravam mais facilmente das palavras de uma longa lista quando cerravam os punhos.

Os cientistas acreditam que o movimento ativa regiões específicas do cérebro que estão associadas ao processamento da memória.

Segundo a cientista Ruth Propper, da Montclair State University, nos Estados Unidos, que liderou a equipe responsável pela descoberta, o resultado sugere que movimentos simples do corpo podem ajudar a memória ao mudar o modo como as funcionalidades do cérebro são executadas temporariamente.

"Cerrar a mão direita imediatamente antes de aprender uma nova informação e fazer o mesmo com o punho esquerdo imediatamente antes de tentar lembrar-se de algo podem ser benéficos para a memória", afirmou Propper à BBC News.


Como foi feito o experimento


- 50 estudantes destros receberam uma lista de palavras para decorar

- Eles foram divididos em cinco grupos

- Um grupo cerrou o punho direito por cerca de 90 segundos antes de memorizar a lista e depois repetiu o movimento para lembrar-se das palavras

- Um outro grupo foi submetido ao mesmo teste, mas com a mão esquerda

- Dois outros grupos cerraram um dos punhos antes de aprender as palavras (mão direita ou esquerda) e depois a mão oposta antes de lembrar-se delas.

- O grupo restante não cerrou nenhum dos punhos


O Resultado


- O grupo que cerrou o punho direito enquanto memorizava a lista e então cerrou o esquerdo para lembrar-se delas teve um desempenho melhor do que todos os outros grupos

- Esse grupo também teve um desempenho melhor do que o grupo que não cerrou nenhum dos punhos, apesar de a diferença não foi significativa em termos estatísticos


Pesquisas anteriores revelaram que cerrar a mão direita ativa o hemisfério esquerdo do cérebro, enquanto fazer o mesmo movimento com o punho esquerdo ativa o hemisfério contrário, o direito.

Os movimentos estão associados às emoções – por exemplo, cerrar o punho direito em momentos de felicidade ou raiva, e o esquerdo com tristeza ou ansiedade.

De acordo com estudiosos, o processamento da memória usa os dois lados do cérebro – o esquerdo seria responsável pela gravação das memórias e o direito, por recuperá-las.

Pesquisas futuras vão tentar descobrir se cerrar os punhos também pode melhorar outros processos mentais, por exemplo, habilidades verbais ou espaciais, e a memória de imagens ou lugares, assim como palavras.

No entanto, mais estudos são necessários para que essas evidências possam ser comprovadas.

Para o professor Neil Burgess, do Instituto de Neurociência Cognitiva da Universidade College London, na Inglaterra, uma pesquisa mais ampla deveria ser feita para avaliar o real impacto de um determinado efeito sobre a memória.

Segundo ele, seria preciso, por exemplo, escanear o cérebro dos pacientes para revelar a direção exata do fluxo de sangue no local, ou seja, se a corrente sanguínea segue para o hemisfério direito ou esquerdo.



Dica de postagem, meu amigo, Roney Belhassof

Fonte: BBC mentalismo mágica mentalista entretenimento adulto
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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Ciência nos leva um passo mais perto da Implantação de Falsas Memórias



Por Robert Gonzalez
Para io9

Pesquisadores dizem ter conseguido dar a ratos uma memória "híbrida", que borra a linha entre a fantasia e a realidade. Eles obrigaram ratos a recordar memórias enquanto eles estavam ocupados formando novas memórias, reativando neurônios específicos em seus cérebros. Isso pode até representar um passo para a implantação plenamente desenvolvida de falsas memórias.

E isso pode significar que você é nada mais que um narrador pouco confiável do que você jamais realizou.

Aprenda como hackear uma memória, abaixo.

Formação da memória e lembranças de memória são situações incrivelmente complexas dos processos neurológicos, e há muito sobre eles que nós ainda não entendemos. Uma coisa que sabemos, no entanto, é que os neurônios que disparam quando uma memória está tomando forma, ativará novamente quando recuperarmos essa memória mais tarde. Se você pudesse manter o controle de quais neurônios foram acionados durante a criação de uma memória específica (a primeira vez que você viu Star Wars, por exemplo) e regular a sua atividade, você pode - até certo ponto - se forçar a refletir sobre essa experiência do passado numa data posterior.

Agora, a Ph. D. Aleena Garner e seus colegas da Universidade da Califórnia/ San Diego, utilizaram um tipo de rato, como modelo, para atingir um nível semelhante de controle (e memória) neural. Ao classificar os neurônios que disparam no cérebro de um rato, quando ele é exposto a um ambiente, e obrigando os mesmos neurônios a reativarem em uma data posterior em um ambiente totalmente diferente, a equipe de Garner ganhou visão sem precedentes sobre o quanto a formação de uma nova memória pode depender de uma velha.


Como hackear a memória


O experimento gira em torno do uso de uma brilhante manipulação genética celular.

Garner e seus colegas de engenharia pegaram ratos com neurônios que produzem um receptor - chamado hM3Dq - de uma forma dependente de atividade, o que significa que, mesmo com a informação genética necessária para produzir hM3Dq eles podiam ser encontrados em neurônios de todo o cérebro dos ratos, com apenas as células que eram suficientemente ativas e que realmente expressam a proteína. Isto permitiu que os pesquisadores rotulassem padrões específicos de redes neurais, que se tornaram ativadas quando os ratos foram expostos a um ambiente particular, - uma câmara de teste com uma única coloração e aroma, por exemplo.

Mas, o receptor hM3Dq faz mais do que os neurônios específicos - também podem ser usados para os ativar. Dosando os ratos com uma droga chamada clozapina-N-óxido (chamado CNO para abreviar, o fármaco interage especificamente com o receptor de hM3Dq), Garner e sua equipe poderiam desencadear as atividades muito específicas de hM3Dq marcadas em redes neurais.

Em outras palavras, a grande vantagem da ativação de CNO mediada pelo receptor hM3Dq é a sua especificidade espacial. O que eu quero dizer com especificidade espacial? Se você colocar um eletrodo diretamente sobre o cérebro, ele fará com que cada neurônio vizinho ao eletrodo se ative. O cérebro de um rato com hM3Dq marcado, por outro lado, é um pouco como um desenho de uma árvore. O único ramo de “folhas” não coloridas não é diferente de uma rede específica de neurônios que foi marcada com receptor hM3Dq. Se Garner e seus colegas querem ativar apenas os neurônios associados com uma memória específica, eles precisam apenas administrar CNO para o rato, e um ramo específico de neurônios acende. O resto dos “ramos” do cérebro não são afetados e continuam a funcionar como normalmente fariam.


Esquecendo o medo


Para ver o efeito que a atividade cerebral gerada internamente teria sobre a formação de novas memórias, Garner e seus colegas expuseram cada rato com hM3Dq para uma câmara de teste (vamos chamar de Experiência A), e os permitiu se familiarizarem com as paisagens únicas e cheiros de seu novo ambiente. Este tempo era permitido para que os neurônios ativos do rato fossem rotulados com receptores hM3Dq.

Vinte e quatro horas mais tarde, os ratos foram dosados com o CNO (fazendo com que os neurônios associados com a câmara de ensaio fossem ativados primeiro), e colocados numa segunda câmara de teste, fisicamente distintos (experiência B), com o visual e cheiros diferentes. Os ratos foram então deixados a explorar o novo ambiente, embora a um preço, uma vez que cada rato se familiarizasse com a segunda câmara, ele foi submetido a uma série de choques elétricos suaves.

Estes choques fazem parte de um procedimento conhecido como condicionamento do medo. Normalmente, um rato submetido a condicionamento do medo pode ficar com medo do ambiente em que ele recebeu os choques. Se um rato mais tarde é colocado de volta no ambiente em que foi condicionado, ele vai ficar totalmente “congelado” de medo. E isto é tomado como um sinal de que o rato lembra não só do ambiente, mas dos acontecimentos desagradáveis que aconteceram lá.

Mas, com ratos de Garner, algo extraordinário aconteceu. Os ratos só congelavam de medo se fossem ambos:
1) Colocados na segunda câmara (isto é, a câmara onde foram condicionados a terem medo), e
2) Dado CNO para ativar os neurônios associados com a câmara do primeiro teste

Se qualquer condição fosse apresentada de forma independente, os ratos continuavam com seus negócios - como se tivessem se esquecido de ter medo. Os ratos tinham formado o que os pesquisadores chamam de "representação de memória híbrida, incorporando elementos de ambas as estimulações do CNO induzido artificialmente e as pistas sensoriais naturais do cenário de condicionamento do medo." Quando os ratos foram submetidos a choques elétricos na Experiência B, a memória do acontecimento estava sendo esculpida, não só pelo contexto físico da segunda câmara, mas pelo imaginário, gerando, bem como, internamente, representações da primeira câmara.


Como assim? - Então, os pesquisadores implantaram uma memória artificial nas mentes desses ratos?


Mais ou menos. É uma conclusão tentadora para tirar, sim - mas não é um sistema totalmente preciso. Dito isto, não é completamente errado também. Continue comigo... Nós vamos começar a explicar sobre implantação de memória, eu prometo.

Estritamente falando, o que os resultados da equipe fizeram de melhor é apoiar a hipótese de que a atividade neural associada com a feitura de novas memórias está constantemente interagindo com a pré-estabelecida atividade neural. Em outras palavras, explica Garner, o processo pelo qual nós formamos novas memórias está "ligado a noções pré-existentes", uma memória que você vai forjar hoje com base em seus arredores físicos será moldada no contexto de suas experiências passadas da maneira como você as imagina.

Isso tem grandes implicações, não só para a confiabilidade de nossas memórias (se a lembrança de um evento é construída em torno de nossas experiências anteriores, então que objetivo real tem a memória recém-formada?), mas na capacidade de nossos cérebros "para chamar estas memórias através de uma variedade de situações”. Garner nos ofereceu com um exemplo: A ativação dos neurônios associados com uma memória específica, ela explica, não vai necessariamente provocar recordação dessa memória se outros neurônios não oferecerem suporte para a memória quando também são ativados. Ela continua:

Por exemplo, se você está olhando para um forno quente e da última vez que você viu um forno quente você comeu um delicioso bolo, então você pode ficar com fome e feliz porque você está pensando nesse bolo.

No entanto, se a última vez que você viu um forno quente você queimou sua mão, então você pode se assustar com o pensamento da dor que sofreu. Ou você pode ter tido duas experiências no passado. Nossos resultados sugerem que a memória [lembrada] depende do quadro de referência que também é ativado no momento da recuperação da memória.

Uma grande diferença entre o exemplo de Garner e experiência de sua equipe, no entanto, é que a atividade cerebral associada com essas lembranças é acionada de forma orgânica, em um contexto que justifique sua lembrança (fornos que fazem bolos, mas que também queimam as mãos). Na experiência, no entanto, a atividade do cérebro moldando a memória nova do rato foi induzida artificialmente? O que, então, distingue a criação de uma representação de memória híbrida (ou seja, o que Garner e seus colegas alegam ter feito) e da implantação de uma memória?

Esta questão, diz Garner, traz um ponto interessante. Afinal, ela pergunta: "como é que se define como é exatamente a memória?”. Ela continua:

Nós não sabemos o que os ratos perceberam especificamente (um contexto híbrido?), mas nós criamos um traço de memória diferente, ou seja, o correlato celular da memória nestes ratos mudou em comparação com camundongos normais de controle e, portanto, afetando seu comportamento.

Isso, explica ela, fica com a idéia de memória como percepção. Será que ela acredita que sua equipe teve uma mão na alteração da percepção da memória em seus ratos (mesmo que ela não possa dizer especificamente o que é que os ratos estão percebendo)?

Sim. Mas isso, por si só, diz ela, não é nada novo – é totalmente uma imaginação da percepção sensorial, muitas vezes ocorre em seres humanos na forma de alucinações, e podemos induzir essas percepções imaginárias através do uso de drogas, como cogumelos psicodélicos.


"No entanto", Garner explica, "a diferença entre a administração de drogas em geral e nossas manipulações genéticas... é a sua especificidade celular." Ela continua:

Como somos capazes de direcionar mais precisamente as populações de células específicas, seremos mais capazes de gerar uma percepção específica... Dependendo de como se define a memória, não é improvável que, num futuro próximo, sejamos capazes de "implantar" uma percepção/memória inteiramente imaginária.

Descobertas da equipe de Garner são publicadas na última edição da revista Science.

Para uma visão mais detalhada dos resultados da equipe, confira o artigo, também publicado na última edição da revista Science: The Imaginary Mind of a Mouse, escrito pelos drs. Richard Morris e Tomonori Takeuchi.

Original em: io9 mentalismo mágica mentalista entretenimento adulto
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segunda-feira, 25 de março de 2013

Decorando um estéril Palácio das Memórias

Pessoas que sofrem de depressão grave têm grande dificuldade em chamar memórias vivas de seu passado, e os médicos acreditam que essa fraca memória autobiográfica pode contribuir para o transtorno de humor.























Por Wray Herbert
Para Ted Weekends

Na minha mente, eu tenho agora uma imagem de nudistas com excesso de peso em bicicletas. Não é uma imagem que eu quero na minha cabeça, mas é vívida e - meu palpite é – será duradoura. Eu tenho consciência jornalística para agradecer ao Joshua Foer por isso. Acabo de assistir sua encantadora e muito popular TED Talk sobre memória (aqui), e ele usa essa imagem para ilustrar um dispositivo mnemônico antigo chamado "Palácio das Memórias" (meu post sobre esta técnica)- uma técnica que ele tem, na verdade, usado para memorizar o TED Talk em si.

Seu próprio Palácio da Memória - ou casa de memória - começa na porta de sua própria casa, onde ele retrata esse conglomerado de ciclistas nus. Então, como ele mentalmente caminha pelo andar térreo de sua casa, ele encontra outras imagens vívidas que ele vinculou a várias salas - primeiro o monstro do biscoito e Mr. Ed, seguidos por Britney Spears na mesa de café, os caracteres do O Mágico de Oz na cozinha, e assim por diante. Ao ligar imagens estranhas e surpreendentes por uma rota familiar, ele pode ajudar sua memória - e a recordar os pontos-chave do que ele quer fazer.

Os cientistas sabem há muito tempo sobre esta técnica de memorização, o que eles rotulam como Método de Loci. Em seu livro best-seller, “A Arte e a Ciência de Memorizar Tudo”, Foer descreve como os melhores memorizadores do mundo utilizam esta técnica antiga para competir em concursos de memória - memorizar plataformas múltiplas de cartas embaralhadas ou centenas de dígitos binários aleatórios. O livro e o TED Talk nos leva dentro deste mundo, em vez de uma estranha competição memória.

Mas, como observa Foer, estas competições de memória são apenas exageros da memória sobre os desafios que todos nós enfrentamos todos os dias. Mesmo para aqueles de nós com memórias médias, a chave para a recuperação bem sucedida é o que os especialistas chamam de codificação elaborada: A mais viva e concreta de uma imagem é o que ela tem de mais bizarro, divertido ou atrevido e que vai ficar provavelmente na mente. Elaboração é a chave para o Palácio da Memória.

Os Palácios da Memória de algumas pessoas são bastante estéreis, no entanto. Notavelmente, as pessoas que sofrem de depressão grave têm grande dificuldade em evocar memórias vivas de seu passado, e os médicos acreditam que essa memória autobiográfica pode contribuir para o transtorno de humor.

Recentemente, os psicólogos cientistas no Reino Unido têm vindo a explorar a idéia de usar o Método de Loci para decorar seus palácios - para que eles possam ter mais alegria.

O psicólogo clínico Tim Dalgleish, trabalhando com colegas do MRC Unidade de Ciências e Cognição do Cérebro, em Cambridge, sabia que a depressão muitas vezes prejudica a capacidade de recuperar memórias positivas e de auto-afirmação. Mesmo quando as pessoas deprimidas não conseguem evocar memórias felizes, elas não parecem melhorar muito seu humor. Dalgleish suspeita que a qualidade das memórias pessoais dos depressivos é pobre - falta de detalhes concretos - e ele se perguntou se a técnica Palácio de Memória pode ser usada como uma intervenção clínica.

Aqui está o estudo: Ele recrutou voluntários que tinham sido diagnosticados com maior depressão. Cerca de metade tinham experimentado atualmente um episódio depressivo, enquanto os outros estavam em remissão. Cerca de metade de cada grupo se encontraram face a face com um pesquisador para o treinamento do Método de Loci.

Eles começaram por gerar 15 imagens positivas, afirmando lembranças do passado. As memórias que primeiro vieram eram freqüentemente vagas e gerais, mas depois tiveram a ajuda do pesquisador que elaborou cada um deles com o máximo de detalhes ricos e concretos possíveis. Então, eles usaram um mapa mental familiarizado - ou a sua casa, assim como Foer, ou seu trajeto para o trabalho - e anexaram estas 15 memórias para imagens memoráveis colocados ao longo do percurso. Por exemplo, um voluntário tinha boas lembranças de uma conversa com sua melhor amiga em um café de Nova York, ele então se imaginou na frente de sua casa, que tinha sido transformada em uma cadeia americana popular de café, com sua amiga sorrindo. Eles todos fizeram isso com todas as 15 memórias, e as utilizaram.

Os outros voluntários, os de controle, também receberam treinamento de memória -, mas com uma técnica chamada de “Segmentando e Ensaiando”. Com esta abordagem, os voluntários do grupo dividiram as memórias em categorias - bons momentos com as crianças, por exemplo - para depois ensaiar. Dalgleish suspeita que ambas as técnicas de memória possam ajudar os voluntários deprimidos a enriquecer os seus repositórios de lembranças positivas, mas ele previu que a técnica do Método de Loci teria efeitos mais duradouros.

E isso é exatamente o que eles encontraram. Conforme relatado na revista Clinical Psychological Science, todos os voluntários praticaram em casa por uma semana, e quando voltaram ao laboratório todos tinham conseguido melhorar o acesso a experiências alegres do passado. Isto era verdade tanto se eles estavam deprimidos no momento ou em remissão.

No entanto - e esta é a principal conclusão –ao fazer um acompanhamento desses voluntários uma semana mais tarde para recordar o teste, somente àqueles que tinham aprendido o Método de Loci tinham mantido estas recordações. Presumivelmente, essas pessoas poderiam recorrer a este rico repositório de boas recordações no futuro, e à vontade, para ajudar a regular seu humor. Os de controle, pelo contrário, mostraram uma queda significativa na recuperação de experiências felizes do passado.

Para continuar com o exemplo de Foer sobre uma residência mnemônica, aqueles que passaram pela intervenção do Método de Loci agora vivem em casas ricamente decoradas, enquanto os outros continuam a ocupar os seus aposentos espartanos e melancólicos.

Dica do meu amigo, Leandro Lima.

Aprenda este método aqui: Palácio das Memórias - Técnica de Memorização

Fonte: TED mentalismo mágica mentalista entretenimento adulto
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domingo, 24 de março de 2013

Aprendizado significa estabilidade

Se ao olhar uma foto antiga você se lembra de fatos da época, que não estão na foto e que não foram revividos durante muitos anos, como é possível que tal informação seja "armazenada" nos neurônios durante todo este tempo?


"Um episódio é uma relação entre informações sensoriais e respostas motoras e/ou emocionais, que são coerentes num tempo e num espaço.

A memória deste episódio é a estabilização das sinapses entre os neurônios envolvidos nos processamentos dessas informações sensoriais e aqueles envolvidos na determinação das respostas motoras e emocionais associadas.

A base molecular do aprendizado e da memória deve ser entendida dessa maneira. Isto é, a partir do controle de processos que estabilizam sinapses relevantes ao fato a ser aprendido ou memorizado. A memória biológica é uma memória endereçada por conteúdo.

Em outras palavras, é definida a partir de relações entre eventos ou fatos. Dessa maneira, a evocação de um dado evento deve, em geral, facilitar a lembrança de outros fatos a ele relacionados."

Entrevista concedida pelo Prof. Dr. Armando Freitas da Rocha, neurocientista, em 2000.


Exercite sua memória: pegue uma foto antiga e tente se lembrar de várias coisas que você fez no mesmo dia. Quantas coisas foi capaz de recordar?



Fonte: Neurociências em Benefício da Educação
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quinta-feira, 7 de março de 2013

A Curva do Esquecimento

Lendo um livro sobre memorização descobri algo impossível de não compartilhar com os amigos. Talvez a minha mais importante descoberta na área.



Em uma famosa experiência o psicólogo Hermann Ebbinghaus observou o tempo necessário para se armazenar uma informação na memória. Foi aí que se chegou à Curva do Esquecimento.


A Curva do Esquecimento descreve o quanto somos capazes de reter informações recém-adquiridas. A seguir, o funcionamento da curva de informação adquirida após uma palestra de 1 hora de duração.

No primeiro dia, no início da palestra, o estudante sabe algo próximo de 0% do assunto ensinado, justificando o motivo pelo qual a curva se inicia no ponto 0. Desse modo, ao final da palestra, ele saberá 100% do assunto ensinado, ou, ao menos, saberá o máximo que tem condições de aprender, dado o conhecimento prévio sobre o assunto. Assim, após a palestra, a curva chega ao seu ponto máximo.

No segundo dia, se o estudante não tiver feito qualquer revisão do assunto (ler, pensar sobre ele, discutir sobre os tópicos aprendidos), provavelmente terá esquecido de 50% a 80% do que foi aprendido. Observe o gráfico e perceba que o estudante se esquece mais nas primeiras 24 horas após a aquisição do conhecimento do que ao longo de 30 dias, e que, ao final de trinta dias, restarão apenas 2% a 3% de toda informação adquirida no primeiro dia. Assim, ao final dos 30 dias, ele terá a impressão de nunca ter ouvido falar do assunto estudado, precisando estudar tudo desde o início.

No entanto, é possível mudar a forma da curva do esquecimento. Nosso cérebro grava constantemente informações de maneira temporária - conversas no corredor da faculdade, a roupa que você estava usando no dia anterior, o nome de amigos apresentados em uma reunião, a música que acabou de tocar no rádio - se não criarmos códigos de memória importantes, toda essa informação será descartada.

Cada revisão que fazemos do conhecimento recém-adquirido cria novos códigos de memória, fixando a informação cada vez mais.

Uma fórmula de revisão interessante seria a seguinte: Observe que essa revisão deve ser feita nas primeiras 24 horas após a aquisição do conhecimento, por ser justamente o período em que ocorre a maior parte do esquecimento; ela será suficiente para "segurar" na memória toda a informação aprendida em sala de aula. Uma semana depois (7 dias), para cada hora de aula expositiva, você precisará de apenas 5 minutos para "reativar" o mesmo material e fazer o grau de aprendizado subir para 100% mais uma vez. e ao final de trinta dias, será preciso apenas 2 a 4 minutos para obter novamente os 100% da curva de aprendizagem.

Alguns alunos dizem que não têm tempo para esse tipo de revisão, mas nada justifica essa alegação, visto que o maior ganho com as revisões se refere principalmente ao tempo. Se, ao longo de 30 dias , os estudantes nenhum tipo de revisão, eles precisarão de mais 50 minutos de estudo para cada hora de aula expositiva. Dado o inevitável acúmulo de matéria, provavelmente o aluno despenderá muito mais tempo do que se tivesse simplesmente feito um bom calendário de revisões.

A ausência de revisões também comprometerá o fenômeno da reminiscência (o que se mantém na memória), já que a memória não costuma funcionar muito bem quando trabalha com sobrecarga e pouco tempo disponível.

Fonte: Livro "Mentes Geniais" de Alberto Dell'Isola

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Palácio das Memórias - Técnica de Memorização

Esta é a técnica que eu uso para memorizar cartas de um baralho, mas a sua aplicação não se limita a isso: pode ser usada para memorizar qualquer coisa.


O "Palácio das memórias" ou o "Método de loci" é uma técnica de memorização. Ela foi documentada no séc. V a.C., mas sua origem é possivelmente anterior a ela. A técnica tem sido usada por estudiosos, sacerdotes e políticos por milhares de anos para ajudá-los a lembrar grandes quantidades de texto e informação.

O Palácio das memórias associa imagens mentais com locais específicos. Era a técnica usada por oradores para memorizar discursos e histórias antes dos livros.

Não, não é uma técnica nova. Na verdade é famosa desde o Séc. V a.C..


Veja como funciona:


1. Escolha um local específico que é muito familiar para você. Você precisa ser capaz de dividir este lugar em vários segmentos ou cômodos. Por exemplo, a sua casa de infância é uma boa escolha, ou usar uma rua que você conheça como a palma da sua mão. Usando esses pontos de referência irá ajudá-lo a se lembrar de cada item.

2. Faça uma lista de itens ou pontos que você precisa lembrar. Visualize você se movendo através do seu local escolhido, atribua a cada item da sua lista a uma sala específica ou edifício.

3. Crie uma imagem única mental para cada item e sua localização. Quanto mais louca for a imagem, mais provável ela ser "mantida em seu cérebro". O cérebro ama novidade, e evoluiu para chamar sua atenção de coisas estranhas em caminhos conhecidos. Você pode, ainda, conectar um cheiro ou um som com a imagem. Adicionando outros sentidos para a sua imagem irá torná-la mais fácil de ser lembrada.

4. Quando você quiser se lembrar de sua lista, passe mentalmente pelo local escolhido, e visualize cada um dos itens como se você se movesse por esse espaço.


A técnica aproveita a maneira como nosso cérebro evoluiu para memorizar coisas: 
Objetos marcantes em caminhos.

Essa técnica de memorização é a base de tudo que é usado pelos competidores de memorização. Da próxima vez que tiver que decorar um texto, uma lei, ou uma lista de compras, associe uma imagem a cada palavra chave de um artigo ou parágrafo. Essa técnica faz milagres.


A memória é uma habilidade que você pode fortalecer e melhorar, 

mas é preciso prática.



Abaixo, um exemplo: as imagens que o ícone da memorização da década de 60, Harry Lorayne, usava para as cartas de um baralho.


Aqui vai um vídeo curto com o principal da técnica:




Vídeo feito com a ajuda do meu amigo, Roney Belhassof.

Bibliografia principal:
Harry Lorayne - Super Power Memory
Joshua Foer - A Arte e a Ciência de Memorizar Tudo

Fonte: Marbles
Foto: Flickr
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